terça-feira, 3 de outubro de 2017

Manuel Gantes - Campo Santo - 7 de Novembro / 7 de Dezembro 2017




O Museu Militar de Lisboa em colaboração com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, na continuação do projeto «Evocação», iniciado no dia 9 de março de 2016, o qual consta de “exposições – intervenções de arte” nas Salas da Grande Guerra, todas evocativas dos acontecimentos ocorridos no Mundo entre 1914 e 1918, anuncia «Campo Santo», uma instalação de cerca de uma vintena de pinturas de Manuel Gantes concebidas propositadamente com esse objectivo, para esse espaço e para o atual tempo.
A proposta que Manuel Gantes nos enuncia nas obras que expõe, encaminha a nossa memória contra o esquecimento de um facto histórico decorrente de todas as batalhas onde inevitavelmente vencedores e vencidos coabitam: uma escultura de Cristo crucificado, agora mutilado e baleado, salva do campo de batalha, conhecida como «Cristo das Trincheiras». Uma obra que sublinha a força que as imagens-arte têm em nós, como coisa que ultrapassa em muito a fragilidade dos corpos estendidos mortos nos campos das batalhas de todos os dias.
Sobre esta incursão Manuel Gantes afirma:

«Cristos das trincheiras. Céu negro, sem luz, linhas de sombra. A pintura como evocação de um tempo transversal, um tempo que nunca se repete e no entanto é um tempo de desgaste. Sombra celeste.
Flandres, vale da ribeira de La Lys, dia 9 de Abril de 1918, os soldados portugueses são massacrados pela máquina de guerra alemã.
A consciência, as trincheiras do medo e da impotência que se abatem penosamente sobre este pequeno país, o fogo, as chamas, a guerra, as vítimas, no limite todos vítimas mas uns mais que outros. Os outros…»

As pinturas e as palavras de Manuel Gantes serão a síntese de um pensamento, e tratam da esperança que permanece depois de tudo findar.
O «Cristo das Trincheiras», atualmente presente no Mosteiro da Batalha, manteve-se de pé, esperando que o resgatassem (2ª Divisão do CEP) de um campo de batalha coberto de cadáveres onde jaziam 7.500 portugueses, mortos ou agonizantes, e onde a imagem tornada fotografia, de Arnaldo Garcez, testemunha a escultura mutilada, com pernas e braços decepados, e com uma bala a atravessar-lhe o peito.
Esta intervenção pode ser visitada a partir de 7 de novembro, com inauguração às 17:30 h, até 7 de dezembro de 2017.

 Ilídio Salteiro,

Lisboa, Fevereiro, 2017

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Cristo das Trincheiras - fotografia de Arnaldo Garcês

Soldado do C.E.P. junto da imagem do Cristo das trincheiras. Soldado português deixa-se fotografar junto de um enorme Cristo, denominado «Cristo das Trincheiras», que antes da guerra se encontrava num cruzamento de ruas de uma pequena cidade francesa, e que depois da guerra, destruída a cidade e todos os seus acessos, se encontrava nas zonas de combate, em pé, sobre um monte de destroços.
Fotografia de Arnaldo Garcês. Outubro, 1917. Arquivo da Hemeroteca Digital. Portugal na Guerra. Revista Quinzenal Illustrada. Ano 1, nº 5, Outubro de 1917, p. 10

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Cristo nas Trincheira no Mosteiro da Batalha






Na Guerra de 14-18, no sector português da Flandres, entre as localidades de Lacouture e Neuve-Chapelle, encontrava-se um cruzeiro com um Cristo pregado numa cruz de madeira, que dominava a paisagem da planície envolvente.
A imagem deste Cristo não era, obviamente, portuguesa, mas encontrava-se na zona defendida pelo Corpo Expedicionário Português durante a ofensiva alemã que quase destruiu a 2ª Divisão de Infantaria.
No dia 9 de Abril de 1918, durante horas a fio, sobre aquela planície caiu uma tempestade de fogo de artilharia, que a metralhou, a incendiou e a revolveu.
Era a ofensiva da Primavera de 1918 do exército alemão.
A povoação de Neuve-Chapelle quase desapareceu do mapa, de tão transformada em escombros.
A área ficou juncada de cadáveres e, entre estes, jaziam 7.500 portugueses da 2ª Divisão do CEP, mortos ou agonizantes.
No final da luta apenas o Cristo se mantinha de pé, mas também mutilado: a batalha decepou-lhe as pernas, o braço direito e uma bala varou-lhe o peito.
Mas, no meio do caos, foi trazida pelos militares que conseguiram reagrupar-se e regressar às linhas aliadas.
É quase inimaginável que, debaixo das barragens de artilharia alemãs, que dizimaram grande parte do contingente português, a opção de alguns militares fosse a de trazer consigo a imagem de Cristo, severamente danificada, e a colocassem em local seguro onde pudesse ser novamente venerada.
Em 1958 o Governo Português fez saber ao Governo Francês o desejo de possuir aquele Cristo mutilado: tornara-se um símbolo da Fé e do Patriotismo nacional e passou a ser conhecido como o "Cristo das Trincheiras".
A imagem foi acompanhada desde França por uma delegação de portugueses, antigos combatentes da Grande Guerra, que residiam em França, e por uma delegação de deputados franceses, chefiada pelo Coronel Louis Christian.
Chegou a Lisboa de avião no dia 4 de Abril de 1958, uma Sexta-feira Santa, e ficou em exposição e veneração na capela do edifício da Escola do Exército até 8 de Abril - as cerimónias foram apoteóticas, milhares de portugueses desfilaram perante a imagem em Lisboa.
No dia 8 de Abril a imagem foi transportada num carro militar para o Mosteiro da  Batalha, sem qualquer cerimonial especial, e aí ficou exposta na sala do refeitório do mosteiro para no dia seguinte, 9 de Abril, se efectuar a entrega oficial.

No dia 9 de Abril, pelas 11 horas, começaram a concentrar-se junto ao Mosteiro numerosas entidades civis e militares, entre elas os Embaixadores de Portugal em França e de França em Portugal, os Adidos Militares da França, da Bélgica e dos Estados Unidos, as altas patentes portuguesas do Exército, Marinha e da Força Aérea.
Ao meio-dia iniciaram-se as cerimónias com a chegada do Coronel Louis Christian (França) e o Ministro da Defesa de Portugal Coronel Santos Costa.

A guarda de honra foi prestada por um Batalhão do Regimento de Infantaria N.º 7, Leiria.
O "Cristo das Trincheiras" foi então levado para a sala do Capítulo, estando o andor que o transportou ao cuidado de representantes da Liga dos Combatentes da Grande Guerra.
Aí, foi deposto sobre um pequeno plinto adamascado à cabeceira do túmulo do "Soldado Desconhecido".
Terminadas as orações, o Adido Militar Francês, Coronel Revault d'Allonnes, conferiu aos dois "Soldados Desconhecidos" duas Cruzes de Guerra, as quais foram depositadas sobre a campa rasa.
A fanfarra do Regimento de Infantaria n.º 19, de Chaves, tocou a silêncio no final da cerimónia, enquanto uma Bateria de Artilharia do Regimento de Artilharia Ligeira de Leiria, salvava com 19 tiros.

Mais do que um episódio ocorrido durante a 1ª Guerra Mundial, o "Cristo das Trincheiras" simboliza a fé que manteve os militares portugueses na linha de frente durante um par de anos, praticamente sem licenças, mal abastecidos, sentindo-se abandonados por quem os enviou para combater por algo que a maioria não entendia.
(Fonte:www.walfreire.blogspot.pt)

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Programa 2016-2019


Programa 2016-2019

O Museu Militar de Lisboa em colaboração com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, programou um conjunto de exposições de artistas portugueses contemporâneos nas Salas da Grande Guerra com caráter instalativo e evocativo dos acontecimentos ocorridos entre 1914 e 1918 em todo o mundo.
Trata-se de um projeto de arte contemporânea sobre a Grande Guerra cujas exposições, individuais e por períodos temporários, se iniciaram em 9 de março de 2016, quando do centenário da declaração de guerra da Alemanha a Portugal, e se concluirão em 14 de julho de 2019 quando, depois do centenário do armistício, se comemora o centenário da participação do CEP na parada da vitória em Paris.
A possibilidade desta projeto se realizar deve-se aos apoios do Exercito Português, do Museu Militar de Lisboa, da Comissão para a Evocação da Grande Guerra, da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e do Centro de Investigação e Estudo em Belas Artes. Contando com a participação de cerca de vinte artistas, ele procurará demonstrar, através de produções artísticas diferenciadas e concebidas especificamente para as Salas da Grande Guerra deste museu, que a arte atualiza os sentidos das coisas e promove sintonias, diálogos e debates, quer sobre ela própria ou quer sobre outras causas.
Depois das intervenções de João Castro Silva com Ossos, Isabel Sabino com A Menina (não) fica em casa, Rocha de Sousa com Link para a memória do esquecimento global, António Trindade com Guerra e Espelhos e João Paulo Queiroz com Entre a Terra e o Céu encerrada a 30 de abril de 2017, este projeto foi interrompido por alguns meses. O seu reinício irá efectuar-se no dia 7 de novembro de 2017, 3ª feira às 17:30 horas, com a inauguração da exposição de Manuel Gantes.


PRÓXIMA EXPOSIÇÃO



EXPOSIÇÕES PASSADAS

1 / JOÃO CASTRO SILVA, OSSOS
9 de Março 2016 a 30 de Maio de 2016
9 de Março de 1916: A Alemanha declara guerra a Portugal.
http://joaocastrosilva-escultura.blogspot.pt/?view=classic

2 / ISABEL SABINO, A MENINA (NÃO) FICA EM CASA
15 de Junho a 30 de setembro de 2016
15 de Junho de 1916: O governo britânico convida Portugal a participar nas operações militares dos aliados.
http://www.isabelsabino.com/

3 / JOÃO ROCHA DE SOUSA, LINK PARA A MEMÓRIA DO ESQUECIMENTO GLOBAL
6 de Outubro 2016  a 15 Novembro de 2016
4-8 de Outubro de 1916: Combate de Maúta, rio Rovuma, Moçambique.

4 / ANTÓNIO TRINDADE, GUERRA E ESPELHOS
25 de Novembro de 2016 a 30 de Janeiro 2017
22 a 28 de Novembro de 1916: o cerco de Nevala.

5 / JOÃO PAULO QUEIROZ, ENTRE A TERRA E O CÉU
9 de Março a 30 Abril de 2017

Nota: Interrupção do projeto entre1 de maio e 30 de outubro de 2017


EXPOSIÇÕES FUTURAS

7 / JOSÉ TEIXEIRA
12 de Dezembro a 25 de Janeiro de 2018

8 / HUGO FERRÃO
30 de Janeiro a 1 de Março de 2017:

EXPOSIÇÕES EM FASE DE CALENDARIZAÇÃO

2018-2019: MIGUEL PROENÇA, MANUEL BOTELHO, ARTUR RAMOS


quarta-feira, 5 de abril de 2017

JOÃO PAULO QUEIROZ E A PROCURA DA GNOSE




João Paulo Queiroz e a procura da gnose
  
Hoje a vida desenvolve-se em volta da felicidade fácil dos sorrisos do facebook. Toda a gente é feliz, a vida é sorridente! O planeta não é redondo, é apenas superfície. Superfície polida de preferência, brilhante, sorridente! Essa felicidade excedente de si própria é contagiante, viral! Pandémica! O esgar do riso entranhou-se, estático durante os segundos necessários, já sem necessitar de ensaios. Toda a gente o articula com um jeito que parece inato, tal como o ator que se obriga a viver o riso do personagem que encarna. Parece não haver dúvidas sobre a felicidade que todos demonstram. Parece até que ninguém se sente infeliz, desamparado, ignorado, frustrado, envergonhado, vencido, esfomeado, doente, sem morada. Parece que neste planeta ninguém tem medos, ninguém sofre, ninguém é consciente. Parece que todos querem parecer iluminados pela vida, pelas divindades, pelo conhecimento!
Mas para que servem essas iluminações? Para nos sentirmos felizes?
Existem hoje incomensuráveis equívocos acerca do que é ser ente. Considero que esses equívocos se repercutem em conceitos como o de humanidade, o do sentir, o de conhecer, assim como em todas as declinações dos verbos ser e haver, muitas já em desuso na comunicação corrente…
Mas para que serve interrogarmo-nos, para que serve percebermos, ou apenas conhecermo-nos, aos nossos limites máximos e mínimos, como, o quê e porquê temos sentimento ou “pré-sentimento”?
Por regra, o conhecimento adquire-se quando se consegue identificar padrões. Quando se encontra a coerência da reconstrução de mundos, elos que unem elementos até aí desconexos, quando se entende a interligação do que é móvel e cíclico no ente, do espelho e da transparência do eu e do outro. E, este reflexionar, é já aquilo que normalmente se designa por ciência, por gnose ou por êxtase. Deveria ser apenas a partir deste ponto que à vivência da vida era dada autoridade para sorrir. Interiormente fascinados poderíamos então sorrir. Sentir a amplitude do regozijo, rindo.

João Paulo Queiroz pinta ao usar a pictoralidade como meio de aproximação a um território modelo onde o seu ente se reflete em recolhimento. Esta expansão espiritual contida, como um artista-asceta na procura do não visível na visibilidade das coisas onde se transmuta. Porque o ver do olhar concentrado do pintor acaba por ser uma transmutação do ente na coisa que vê. O autor torna-se no que pinta desvelando os padrões mentais que unem ente e mundo natural. Porque o desenho é um ato mental.
Este autor inicia um percurso laboratorial ontogénico sobre um determinado ecossistema complexo existente num determinado território de cerca de 300 m2 e reanalisando-o ciclicamente, num período em que o eixo da terra está perpendicular ao sol. Esta proximidade sugere-nos que o seu objeto fundamental seja a luz ou a sua incidência sobre as superfícies do mundo e as modificações que lhes provoca. Se é verdadeiro que a nossa espécie é cega para além dos 370-750 nm (nanómetros), também acontece que a variação daquilo que vemos e que existe perante o nosso olhar está em permanente mutação devido à impermanência da luz natural. É apenas esta pequeníssima faixa de 380 nm do espectro electromagnético que se tem quando se trabalha com a visualidade do mundo, portanto, estamos a falar de um trabalho altamente contido e analítico que tem de se submeter a uma metodologia muito rigorosa com o agravo de exigir precisão e rapidez na captação das gradações lumínicas devido à fugacidade da modelação dos momentos de incidência da luz sobre as superfícies.
Como um pensador cujas ferramentas são os olhos e a luz, JPQ desenvolve uma pintura metódica, analítica e imparcial. Referenciando-se por um calendário antiquíssimo, cósmico, o autor procura a qualidade da luz visível, investigando as materialidades com que modela as formas. Perceber a luz, impossível de ver diretamente ou na sua máxima intensidade mas apenas através da reflexão nas coisas que ilumina, é perceber e comungar a essência das coisas, neste caso, do território eleito.
Um território mítico, estranho e misterioso, quanto mais não seja pela especificidade que lhe foi incorporada pelo pensamento, fé ou imaginação ativa de tantos milhões de seres humanos. Uns 300m2 eleitos na imensidão do planeta, escolhidos para ensaiar a reflexão da luz. Como um sorriso interior de comunhão com o mundo.

O riso, no ente, ilumina-o! Porque vibra, modela-o indeterminávelmente como luz invisível para os olhos. É nele que se revela o milagre da conjunção do ente com um todo, qualquer que este seja, e que naquele instante se transforma em entusiasmo de recompensa. Ao riso não se olha para o ver mas para se percepcionar a iluminação que provoca. Por isso é contagiante. O riso, o sorriso, comunga-se!
É apenas por isto que os rires e sorrires ataráxicos dos Facebook são tão morbidamente visíveis aos nossos olhos… Fixados como esgares não iluminam rostos, modelam-nos apenas através da forma…

Evocar a tragédia coletiva fruto da ignorância, avidez e oportunismo de uns sobre outros é trazê-la à superfície da consciência, repensá-la e reorganiza-la metaforicamente ao nível da catarse.
Evocar os antepassados, honrá-los e apaziguá-los é uma tradição muito antiga que a Oriente ainda tem grande importância.
Nunca se há-de saber quantas vítimas causou a 1ª Grande Guerra mas foram muitas, demasiadas. E não apenas gente humana porque todo o ser vivo foi nela martirizado. Os equídeos, “recrutados institucionalmente”, os cães e os pombos foram os que mais diretamente intervieram no drama. Mas quantas florestas não foram dizimadas, quanta terra não foi esventrada exatamente como se corpos humanos fossem…
Neste ano de 2017 completam-se 100 anos sobre o auge deste conflito sob a indiferença do nosso atual riso cristalizado, ou “petrificado”, do Facebook. Talvez já não se consiga atingir o sentimento, talvez tenhamos desistido da humanidade que nos calibrava e definia como “seres humanos”, talvez seja já uma das visibilidades do Antropoceno. Talvez as tragédias tenham sido maiores e mais injustas do que era possível.
Evocar este primeiro grande conflito global não é apenas relembrar a dor e os atos de bravura ignorada mas também reconhecer a dor e a valentia com que estamos obrigados a viver. A guerra escraviza o sentido da civilidade com tal enraizamento que torna muito difícil refazermo-nos íntegros.
Num território modelo, através da árvore, JPQ tenta encontrar qualquer sinal de humanidade evocativo dessa integridade perdida. Apenas a natureza no seu correr, a árvore, está ainda apta a ser um elemento redentor. Um elo entre as tragédias dos humanos e a indiferença do tempo. Árvores como um pequeno exército, árvore como um soldado desconhecido. Árvore como elemento que une a terra ao céu – tal como cada ente se deveria reconhecer.
Qualquer atitude parece sempre pequena para evocar o drama coletivo, apenas o ser-se mártir dessa dor, da dor do Outro que somos nós próprios, a pode resgatar e possibilita que cada um de nós seja incorrupto. Como a luz que irradia da energia que se reflete das superfícies dos corpos e que varia de momento a momento… Por isso o riso é libertador, assim como as obras que João Paulo Queiroz apresenta na Sala da Grande Guerra do Museu Militar de Lisboa, numa exposição que intitulou Entre a Terra e o Céu, umas das muitas ações de arte atual comissionadas pelo pintor Ilídio Salteiro e que constituem a evocação da 1ª Grande Guerra no Museu Militar de Lisboa.


Dora Iva Rita

Lisboa, 21 de março de 2017

quarta-feira, 8 de março de 2017

ENTRE A TERRA E O CÉU - Inauguração: 9 de março às 17:30h

«Nos últimos anos tenho pintado do natural, nos Valinhos, perto de Fátima.​
Mostro agora 60 pinturas inéditas, 12 de cada um dos anos de 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013.
Convido-te para a minha exposição de pintura 'Entre a Terra e o Céu' que abre amanhã, quinta-feira, 9 março, entre as 17h30 e as 19h00, no Museu Militar, a Santa Apolónia, Lisboa.
Abraço»
João Paulo Queiroz

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

JOÃO PAULO QUEIROZ - Entre a Terra e o Céu

Museu Militar de Lisboa

9 de Março a 30 de abril de 2017
Inaugração: 9 de março às 17:30h


João Paulo Queiroz,  Cem vezes uma Árvore, 2016.
Pastel de óleo sobre papel, 29 cm x 21 cm.
FBAUL, 11 a 18 de Fevereiro de 2017

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

PROGRAMA 2016 / 2019 atualizadado



O Museu Militar de Lisboa em colaboração com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa estão a decorrer um conjunto de exposições de artistas portugueses contemporâneos nas Salas da Grande Guerra com caráter instalativo e evocativo dos acontecimentos ocorridos entre 1914 e 1918 em todo o mundo. Estas exposições, individuais e por períodos temporários, iniciaram-se em 9 de março de 2016, quando do centenário da declaração de guerra da Alemanha a Portugal, e concluir-se-ão em 14 de julho de 2019 quando depois do centenário do armistício, se comemora o centenário da participação do CEP na parada da vitória em Paris.
A possibilidade desta projeto se realizar deve-se aos apoios do Exercito Português, do Museu Militar de Lisboa, da Comissão para a Evocação da Grande Guerra, da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e do Centro de Investigação e Estudo em Belas Artes. Contando com a participação de cerca de vinte artistas, ele procurará demonstrar, através de produções artísticas diferenciadas e concebidas especificamente para as Salas da Grande Guerra deste museu, que a arte atualiza os sentidos das coisas e promove sintonias, diálogos e debates, quer sobre ela própria ou quer sobre outras causas.

No próximo dia 10 de Março de 2017 inaugura a exposição de João Paulo Queiroz, intitulada Terras e Céus.


Parada de vitória, 14 de julho de 1919, Paris.

Fonte: https://www.publico.pt/primeira-grande-guerra (10-10-16)

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

ANTÓNIO TRINDADE - convite - 29 de novembro 2016 / 17:30 h


GUERRA E ESPELHOS

Nas Salas da Grande Guerra do Museu Militar, a proposta por mim apresentada tem como objetivo criar um jogo de espelhos mediante a sugestão de pequenas aberturas ou rompimentos virtuais dentro do espaço real interventivo. Nesses rompimentos do espaço do Museu confrontam-se em conjunto uma série de pinturas que se agregam a espelhos formando com estes novos objetos de confrontação óptica. As pinturas mostram-nos imagens icónicas e representativas da melancolia, da saudade, da ... (ler mais)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

NEVALA E ROVUMA



Trincheira portuguesa na posição de Namoto

EVOCAÇÃO
4ª Exposição

António Trindade
GUERRA E ESPELHOS

29 de Novembro de 2016 a 30 de Janeiro 2017

Inauguração: 29 de Novembro de 2016, 17:30h

Cerco de Nevala: de 22 a 28 de Novembro tem lugar o cerco de Nevala. Nos sete dias de cerco, as tropas alemãs bombardeiam as forças portuguesas sitiadas causando a morte a cinco militares (um segundo sargento e quatro soldados).

A Questão do Nevala, 1916: ler mais

NEVALA E ROVUMA,


Trincheira portuguesa na posição de Namoto

EVOCAÇÃO
4ª Exposição: ANTÓNIO TRINDADE / GUERRA E ESPELHOS

29 de Novembro de 2016 a 30 de Janeiro 2017
Cerco de Nevala: de 22 a 28 de Novembro tem lugar o cerco de Nevala. Nos sete dias de cerco, as tropas alemãs bombardeiam as forças portuguesas sitiadas causando a morte a cinco militares (um segundo sargento e quatro soldados).

A Questão do Nevala, 1916: ler mais

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Filmes de Rocha de Sousa: Atelier do Artista, 1983

Atelier de Rogério Ribeiro, Estremoz. O autor trabalha. Medita. Concebe a urdidura da sua linguagem, organizando os símbolos capazes de exprimirem a densidade de várias memórias no espaço de ficção e mensagem visual que a Pintura, entre contingências formais, nunca deixou de ser.... (ROCHA de SOUSA, 1983)


domingo, 30 de outubro de 2016

Filmes de Rocha de Sousa: Atelier do Artista, 1983

A Pintura como toda  a Arte é este jogo sublime de mentiras que dizem a verdade.......
(ROCHA de SOUSA, 1983)

Salas da Grande Guerra, Museu Militar de Lisboa, 6 de outubro até 15 de novembro de 2016

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Inauguração da exposição / intervenção de ROCHA de SOUSA no Museu Militar de Lisboa (1)

Evocação da Grande Guerra: momento da inauguração com Rocha de Sousa, Ilídio Salteiro, Luís Paulo de Albuquerque e Catarina Figueiredo Cardoso, 6 de outubro de 2016, Museu Militar de Lisboa, Salas da Grande Guerra,

domingo, 11 de setembro de 2016

Anna Coleman Ladd - Artista Escultora na Grande Guerra

Anna Coleman Ladd
THE SCULPTOR WHO MADE MASKS FOR SOLDIERS DISFIGURED IN WORLD WAR I

by Allison Meier on September 8, 2016





Any enduring romanticism for war was obliterated by the industrialized brutality of World War I, from which legions of soldiers returned disfigured by facial injuries. The rise of Modernism in Europe from this carnage is well-known, but in the United States it had a different impact, encouraging both heightened patriotism and the emergence of symbols like the mask. One artist, Anna Coleman Ladd, turned her neoclassical training into a tool for sculpting new faces for the defaced.
In Grand Illusions: American Art and the First World War, recently released by Oxford University Press, Wake Forest University Professor David Lubin explores Ladd’s work in the greater context of US artists working during and after World War I. Beginning with the sinking of the Lusitania in 1915, an event used in propaganda to galvanize American interest in the war, Lubin’s research stretches up to 1933, with the emergence of the Third Reich and a new military era. “The first World War was the first fully industrialized war, and an important aspect of that industrialization was the mass production and dissemination of war-related images,” Lubin writes. “They informed and misinformed opposing populations about the need to go to war, the nature of war itself, and the consequences of war.”
And one of those consequences was les gueules cassées, or the “broken faces,” as the hundreds of thousands of disfigured soldiers were called in France. Medicine had improved enough so soldiers could survive previously fatal injuries, yet those wounds were freshly horrific with machine guns and trench warfare that often left the delicate facial tissue exposed. Noses were reduced to holes, jaws broken beyond repair, eyes blinded, and whole physiognomies blurred by ripped flesh. As Harold Gillies, a doctor who treated thousands of facial injuries, said of his ward: “Only the blind keep their spirits up.”
Ladd was among several sculptors who used their skills to fashion masks so soldiers could more easily walk in public without shocking and provoking gawking. The Boston-based artist joined others, like Francis Derwent Wood, who were making prostheses out of copper or tin that could be worn like glasses with spectacle bows over the ears. Through the American Red Cross, Ladd set up her small Studio for Portrait Masks in the Latin Quarter of Paris in 1917, its homey interior designed to give comfort and dignity to her patients. Scarred veterans’ transformation began with a suffocating plaster cast process used to capture each of their new imperfections. (read more)

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Isabel Sabino propõe que A menina (não) fica em casa

By Cláudia Ferreira · On 12/08/2016

Patente no Museu Militar de Lisboa até dia 30 de Setembro deste ano, a lúcida intervenção de Isabel Sabino enquadra-se no projecto mais vasto denominado Evocação, num convocar da Arte Contemporânea em alusão à Grande Guerra.
Inaugurou no dia 15 de Junho e permanece, portanto, até 30 de Setembro; ocupa as Salas da Grande Guerra e inscreve-se num programa evocativo dos acontecimentos que ocorreram entre os anos de 1914 e 1918, concretamente, entre 9 de Março de 2016, data em que se assinalou o centenário da declaração de guerra da Alemanha a Portugal, e 18 de Novembro de 2018, momento em que se marcará o centenário do armistício.
Tal intervenção “assume como perspectiva um olhar feminino”: lê-se no texto-testemunho assinado por Isabel Sabino em Abril de 2016, e que a acompanha. Na verdade, a pintora interpela-nos acerca da figuração feminina que persiste no museu, essencialmente da ordem do imaginário, e, neste, seguindo aquela que mais se adequa ao espírito guerreiro. Assim, e seguindo as suas palavras, “alegorias da vitória, da fama e da glória ou dos lugares de conquista, guerreiras ou anjos protetores, mas também assombrações do terror, esposas, mães enlutadas e carpideiras, ou ainda deusas, ninfas e Nereides, aparições sensuais de amantes longínquas.”

Não será despiciente, por exemplo, assinalar, logo na primeira sala em que se dispõem quatro vitrinas, duas das quais reservadas às proposições da pintora de que nos ocupamos, um gesso da autoria de Francisco Santos, e do ano de 1913, a representar a República Portuguesa. Se nos lembrarmos de Joan B. Landes, ao traçar o movimento entrelaçado das mulheres e da esfera pública para a época da Revolução Francesa, matriz das repúblicas contemporâneas, facilmente concluímos que foram não apenas construídas “sem” as mulheres, como inclusivamente “contra” elas. Aqui radica a acutilância das palavras de Isabel Sabino e, na verdade, à mulher resta a árdua tarefa de resgatar um corpo subsumido em imaginários sem dúvida inscritos num autêntico inconsciente colectivo. A nós parece-nos existir, neste aspecto, um desequilíbrio evidente entre o feminino e o masculino... (LER TEXTO COMPLETO)

Olhares - Rocha de Sousa

Isabel Sabino, A Menina (não) sai de casa
Jornal de Letras, 17 a 30 de agosto de 2016
Página 20